Uma história universal
Ouidah conta-se entre os locais mais emblemáticos da memória da trata. Este percurso, vulgarmente designado por «Rota dos Cativos», reconstitui o último trajeto dos africanos deportados para as Américas. As pessoas vêm aqui para refletir, compreender e transmitir. E, para muitos afrodescendentes, para se reconectarem com uma parte de si próprios.
O passeio é feito com um guia, que mais conta do que explica. Muitas vezes, chegamos com perguntas. Mas, uma vez na praia, de frente para o oceano, as perguntas desaparecem: resta apenas o silêncio e a emoção que toma conta de cada um.
Os momentos a não perder
- A Praça dos Leilões: é nesta praça que tudo começa. As primeiras palavras do guia contextualizam a situação e, em seguida, o passeio segue em direção ao oceano.
- A Árvore do Esquecimento, a Casa Zomaï, o Memorial de Zoungbodji e a Árvore do Regresso: quatro paragens marcantes, onde a narrativa se torna mais solene. O Memorial, erguido no cemitério dos cativos, convida à reflexão.
- A Porta do Não Retorno: no fim do caminho, depois da Árvore do Regresso, ergue-se de frente para o Atlântico. Muitos visitantes param ali por algum tempo para prestar homenagem àqueles e àquelas que nunca regressaram.

Caminhar, recordar, transmitir
Este percurso não se visita: vive-se. Há quem o percorra em silêncio, outros com os seus filhos, para lhes transmitir esse passado. A memória circula assim, de uma geração para a outra e de um continente para o outro. O percurso pode ser feito durante todo o ano.